Como Mary vira Molly?
Uma espectadora perguntou isso embaixo de um dos nossos vídeos de apelidos, e a pergunta merece mais espaço do que cabe num comentário. Não existe L em Mary e, mesmo assim, Molly pertence a ela há séculos. A resposta são dois hábitos medievais empilhados dentro de um nome pequeno.
Primeiro truque: a troca do R pelo L
Molly é um dos gestos de carinho mais antigos dos nomes ingleses: uma forma carinhosa medieval de Mary. Os apelidos ingleses gostavam de suavizar o R num L, e essa única letra trocada encheu o berçário: Sarah virou Sally, Dorothy virou Dolly, e Harry, a forma medieval do dia a dia de Henry, encurtou para Hal. Molly está bem acompanhada.
Segundo truque: a rima
Depois que Molly existiu, o hábito de rimar fez o resto: Molly virou Polly, exatamente o mesmo movimento que transformou Will em Bill. Essa metade da história está em Por que Bill é apelido de William?
O galho que continua crescendo
A família continuou ramificando. Na Escandinávia, Mia nasceu como forma carinhosa de Maria e hoje é um nome que anda sozinho. E em italiano e espanhol é, simplesmente, a palavra para «minha».
A raiz debaixo de tudo
Debaixo de Mary, Molly, Polly, Marie, Maria e Mia está a hebraica Miryam, um nome tão antigo que os estudiosos ainda debatem o que ele significou primeiro: nas leituras antigas aparecem tanto «amarga» quanto «amada». E nós dizemos isso assim mesmo, porque esse é o critério da casa: quando os estudiosos hesitam, nós hesitamos junto.
Cada nome desta história tem a própria página, com a família inteira mapeada: os apelidos, as variantes e os nomes que dividem as mesmas raízes. Este artigo inteiro nasceu da pergunta de uma leitora, então se um nome está intrigando você, pergunte. A gente responde com a família dele.
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